Por esses dias estava refletindo sobre letras, a relação que eu tenho com as palavras e o ato criativo. Criar é muito difícil, muito mais do que poderia imaginar quando mais jovem. Acredito que todos mundo já teve aquela sensação que ter as ideias prontas, formada dentro da cabeça, mas fazer a transposição para este mundo material se prova desafiador e até frustrante. Uma ideia intensa se torna meia duzia de magras palavras sem um lugar em que ele realmente se encaixe.
Esses dias folheei despretensiosamente as primeiras páginas de um livro sobre escrever, “Para ser escritor” de Charles Kiefer”, e por uma questão de momento certo, algumas ideas vieram de encontro à mim.
A primeira é a diferenciação entre escritor e autor. O primeiro é aquele que existe apenas no momento em que escreve, aquele que imprime a palavra do texto. O outro é o puro ego, o que pensar ter realizado algo e acredita dominar esse processo.
Não sei quanto de nós realmente exercitamos a escrita. Não, muito mais do que isso, me refiro a qualquer ato criativo, seja quem trabalha com isso, quem estudou com afinco ou quem o faz nas horas vagas. E mais do que as palavras: imagens, gestos, sons, formas, é sobre todo o processo criativo. Vi nesse trecho um consolo sobre o ato de ser criativo. Não é sobre dominar nenhuma técnica, mas vejam, se chegaram até aqui nesse texto que escrevo, organizo as palavras enquanto expando um ideia. Colocado em uma rotina, me faço escritor. Um oficio, um operário do teclado que digita os caracteres. Autor? Talvez aí seja demais, talvez o ego não banque o resultado, a forma final.
O escrito quando encerra o texto, inicia o seu próximo.
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